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por Duda Hamilton

Ele toca ao lado de grandes nomes da música brasileira, faz arranjos para muitos talentos, é parceiro de outros gênios em canções que encantam até hoje, como Todo Sentimento, com Chico Buarque, gravada em Paris há 30 anos, só piano e voz. Sua canção Raios de Luz, em parceria com Abel Silva, foi gravada porBarbra Streisand e, em 1999, fez a direção musical e arranjos do show e do disco Gal Costa Canta Tom Jobim.  Cristovão Bastos, que é pianista, compositor e arranjador, já acompanhou, pelas suas contas, mais de 100 músicos em 50 anos de profissão.

Ele começou cedinho e sua memória mais remota da música é aos 7 anos, quando viu pela primeira vez um show com acordeom. Virou-se para os pais e pediu: “Quero tocar este instrumento.” Semanas depois freqüentava aulas e aos 15 anos se tornou profissional ao tocar numa boate em Cascadura, no subúrbio do Rio Janeiro. Foi ali também que ele trocou o acordeom pelo piano.

Em palcos e estúdios nacionais e internacionais, Cristovão Bastos acompanha, em shows e discos, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Aldir Blanc, além de Nana Caymmi, Edu Lobo, entre muitos outros. Na década de 1980 viajou com Chico pela Europa onde, segundo ele, mais jogaram futebol do que tocaram. “Eram duas partidas e um show ou quatro e dois shows”, conta de forma divertida.

Cristovão tem personalidade ao tocar e o que o deixa mais gratificado é quando reconhecem seu piano. O CD Bons Encontros, de 1992, com o violonista Marco Pereira, é um ótimo exemplo, pois são músicas de Ary Barroso e Noel Rosa, que ganham uma outra interpretação, sem esquecer a essência brasileira. Este álbum recebeu o Prêmio Sharp de Música Instrumental. Seu primeiro disco solo, Avenida Brasil, também tem esta marca.

Perguntado se prefere palco ou estúdio, disparou:

“Gosto de estar no palco, mas o estúdio é um educador, é uma forma de descobrir erros e vícios”.

Cristovão Bastos

Foto:João Maia

Ao telefone ele confessa que ao entrar no palco não tem mandinga, mas sempre ao estar no piano agradece a Deus pelo dom de tocar. Otimista, acredita que a música brasileira vai muito bem.

“O problema é o acesso à mídia, pois o que hoje está nela é a música imediata, a que logo deixa de existir e, com isso, perdemos a informação sobre a boa música”, alerta ele, fazendo comparações. “Tem gente que só usa acessórios que estão na moda, como uma determinada marca de calça ou tênis, por exemplo. Diferente destes, prefiro usar sandálias, porque o pé respira melhor”.

E assim ele segue seu caminhar musical. É entre uma turnê com Edu Lobo e outra com Paulinho da Viola que Cristovão vem para Florianópolis, onde se apresenta no Teatro Álvaro de Carvalho, em 14 de abril, como convidado do cantor e compositor Rodrigo Piva, que lança seu terceiro CD, Na Garganta do Artista.

Confira, abaixo, um rápido pingue-pongue com o músico.

Entrevista

 

Quinze dias antes do show Na Garganta do Artista, de Rodrigo Piva, a jornalista Duda Hamilton conversou, por telefone com o convidado especial pianista, arranjador e compositor, Cristovão Bastos. Durante a entrevista ele se deu conta que este ano completa 50 anos de profissão. Na bagagem, parcerias com Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Aldir Blanc, Abel Silva, além de Nana Caymmi, Gal Costa, Edu Lobo, entre muitos outros.

Como a música entrou na sua vida?

Quando eu tinha 7 anos e meu pais me levaram num show. Olhei para o acordeom e pedi para tocar aquele instrumento. Aos 13 anos me formei.

E como foi trocar o acordeom pelo piano?

Aos 17 anos eu tocava acordeom numa boate em Cascadura, no subúrbio do Rio. O proprietário queria um pianista, porque o que ele tinha ia embora, e foi assim que eu comecei a tocar piano.

 

O que é preciso para ser músico?

O cara só pode ser músico se for apaixonado por música. Se só gostar, continua gostando, mas faz outra coisa, tem outra profissão. Somos em 7 irmãos, todos musicais, mas só eu fui ser músico.

O que você considera o melhor na mpb?

O músico brasileiro tem um rico acervo e possibilidades diversas para trabalhar com o regional do Brasil. Temos vários estilos, várias nuances, isso é uma riqueza sem igual. E a música instrumental brasileira, que é muito mais conhecida e consumida fora do país, vai muito bem. O maior problema é que aqui eles querem saber quem é a melhor cantora ou o melhor cantor, sem levar em conta outros profissionais, como o arranjador, o melhor instrumentista e o melhor produtor.

E isto é a mídia quem faz?

Sim, é a mídia. Hoje, por exemplo, a música instrumental não tem acesso à mídia. O que está na mídia é o imediato, é a música que acaba logo e, com isso, perdemos a informação sobre a boa música.

É melhor compor, tocar ou fazer arranjos?

As três atividades são correlatas. Me sinto mais a vontade compondo e tocando piano, mas também gosto de escrever. Todo o arranjador é um compositor, faz variações musicais, mexe em harmonia, cria uma segunda melodia.

Palco ou estúdio?

Gosto do palco, ele é emocionante porque o que você faz, não se repete. É a grande diferença do estúdio, que é um educador, é uma maneira de descobrir erros e vícios. Já mudei muita coisa pelo fato de gravar e ouvir o que gravei muitas vezes.

Alguma mandinga ao subir ou descer do palco?

Quando estou ao piano agradeço sempre a Deus por ter me dado este dom de tocar, por me permitir fazer isso.

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