Archive for the Destaque Category
24 nov

Rodrigo Piva em Buenos Aires

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No próximo dia 12 de dezembro, às 21h30, Rodrigo Piva apresenta no Notorious (Buenos Aires), dentro do projeto “Club Brasil”, o espetáculo Na Garganta do Artista, título do seu mais recente álbum. O show contará com a participação da cantora argentina Helena Cullen e dos instrumentistas Rogério Piva (guitarra e bandolim), Broder Bastos (baixo) e Fabián Miodownik (bateria).

O show no Notorious faz parte do ciclo “Club Brasil Presenta”, criado especialmente para a divulgação da música brasileira em Buenos Aires. Trata-se de um espaço aberto tanto a artistas brasileiros quanto aos argentinos que fazem música brasileira. Pelo “Club Brasil” já passaram nomes como Chico Saraiva, Júlio Caldas, Rogério Botter Maio, Ana Paula da Silva, Rogério Souza, Celio Balona, Tatiana Cobett e Marco Liva.

No repertório, destaque para os sambas, bossas e choros de autoria de Rodrigo, que fazem parte de seu novo trabalho e de seus dois primeiros álbuns – Contraste Brasil e Menina de Floripa. Também serão apresentados alguns clássicos da música popular brasileira e de seu avô Túlio Piva, famoso compositor gaúcho, autor de sucessos como Pandeiro de Prata e Tem que Ter Mulata.

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(por Gerdal José de Paula)

“Era uma noite tão clara/lua cheia na sala/e eu saí por aí/te procurando com calma/nas esquinas da alma/quando eu me perdi/a tua ausência me invade/me parte pela metade/e a metade que resta/ainda chama por ti…”

Porto-alegrense há muito fixado na capital catarinense, onde, em paralelo à lida musical, desenvolve a lida como analista jurídico do Tribunal Regional Eleitoral, o cantor, compositor e violonista Rodrigo Piva (foto abaixo) vem trabalhando, na praça sulista, o seu terceiro e ótimo disco autoral, “Na Garganta do Artista” (capa também abaixo). Aliás, não é de estranhar que ele faça música de qualidade com letra de expressão – como no abolerado de “Noite Clara”, dos versos em epígrafe -, pois é um sujeito que soube herdar tal predicado do avô ilustre, um dos maiores compositores gaúchos, Tulio Piva, autor de um grande sucesso gravado, em 1958, por Germano Mathias, o samba-batucada “Tem Que Ter Mulata” (“O samba pra ser samba brasileiro/tem que ter pandeiro, tem que ter pandeiro/o samba pra ser samba, na batata/tem que ter mulata, tem que ter mulata…” Gaúcho da fronteira (com a Argentina, nascido em Santiago do Boqueirão, também cidade natal do escritor Caio Fernando Abreu), Tulio fez cartaz na capital do seu estado como sambista e lá, além de drogaria, foi proprietário do bar Gente da Noite (também título de outro de seus sucessos), referência boêmia por dez anos e reduto acolhedor de Vinicius, Caymmi e outros nomes famosos egressos do eixo Rio-São Paulo que por lá estivesssem. Nesse bar, quando adolescente, Rodrigo, juntamente com Rogério Piva, seu irmão e exímio bandolinista, iniciou carreira acompanhando Tulio e, com ele, apresentando-se ainda em atrações de rádio e tevê e shows pelo interior gaúcho.

Com o talento no DNA, Rodrigo, em princípios dos anos 80, já “de maior”, partiu para rumos próprios na carreira, participando, vitorioso, de festivais universitários e tocando com Rogério em um grupo de choro, Vibrações, de que ainda tomaram parte grandes instrumentistas do gênero na cena de Porto Alegre: Lúcio do Cavaquinho e Jessé Silva. Nos albores da década seguinte, seduzido pela magia de Florianópolis, passa a viver, após aprovação em concurso público para o exercício do Direito, nessa urbe insular, onde, sem prescindir da cátedra musical, grava os seus discos, sendo os dois primeiros “Contraste Brasil”, de 1996, e “Menina de Floripa”, de 2002, este contando com a participação de uma “manezinha” (nativa da ilha) muito especial, sua filha, Cássia, então com cinco anos, na faixa-título (ouvida no terceiro “link” abaixo).

Os dois primeiros “links” são do disco atual – a bossa “Você Já Foi a Floripa?” e o samba-exaltação ao samba “Na Garganta do Artista”, respectivamente -, ao passo que, no quarto, Rodrigo é visto em cena de recente show de lançamento, no mês passado, no Teatro de Câmara Tulio Piva, ao lado de outro porto-alegrense, Nélson Coelho de Castro – destacado compositor em seu estado, no qual foi, em 1979, o primeiro artista a lançar disco independente -, ambos cantando “Tem Que Ter Mulata”.

No “link” final, uma entrevista com Rodrigo Piva em rádio catarinense, sobre o novo CD, e participação especial do pianista Cristóvão Bastos.

Pós-escrito: destaco ainda nestas linhas sobre o novo disco do amigo Rodrigo Piva, a participação brilhante e especialíssima, em algumas faixas, do acordeonista Alessandro Kramer, o Bebê. Nascido em Vacaria, pude conhecê-lo – e, mais adiante, vê-lo tocando – no Lapinha, no ano passado, em noite em que, a uma das mesas do bar, estava acompanhado de outro virtuose, o passo-fundense Yamandu Costa. Para sorte e satisfação dos cariocas, dois gaúchos de toque primoroso que moram no Rio.

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=fjli4l-Pw00&feature=related (“Você Já Foi a Floripa?”)

http://www.youtube.com/watch?v=n4xkOjgLpWE&NR=1 (“Na Garganta do Artista”)

http://www.youtube.com/watch?v=Xo37VHHyeAA (“Menina de Floripa”)

http://www.youtube.com/watch?v=btJ-GZYS8h8 (“Tem Que Ter Mulata”)

http://www.youtube.com/watch?v=hLUIu53xJyc&feature=related (entrevista com Rodrigo Piva e Cristóvão Bastos – 14 min)

 

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21 jun

Rodrigo Piva: do samba ao tango

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17 jun

O show em Porto Alegre

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Casa cheia, emoção correndo solta no palco e na plateia… assim foi o show de lançamento do CD Na Garganta do Artista no Teatro de Câmara Túlio Piva, em Porto Alegre, no dia 16 de junho. Com uma super banda formada por gaúchos e catarinenses – Luiz Sebastião 7 cordas, Rogério Piva, Carlos Ribeiro Júnior, Luiz Mauro Filho, Alexandre Damaria e Giovane Berti, e a participação especialíssima do cantor e compositor Nelson Coelho de Castro, Rodrigo  apresentou as canções que integram seu mais recente trabalho.  Como não poderia faltar, cantou os maiores sucessos de seu avô Túlio Piva: Tem Que Ter Mulata, Gente da Noite e Pandeiro de Prata.

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24 maio

Rodrigo Piva lança novo CD em Porto Alegre

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O cantor e compositor Rodrigo Piva lança em Porto Alegre, no Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua da República, 575), no dia 16 de junho, às 20h, o seu terceiro trabalho, Na Garganta do Artista. Depois do sucesso da estreia em Florianópolis, é a vez de Rodrigo apresentar na capital gaúcha um repertório de samba, choro, xote, bossa nova e muito mais. No palco, uma banda formada por uma mescla de músicos radicados em Florianópolis – Luiz Sebastião (direção musical e violão 7), Rogério Piva (bandolim e guitarra), Carlos Ribeiro Junior (baixo) e Alexandre Damaria (percussão) – e em Porto Alegre – o companheiro de antigos sons e tons Giovane Berti (percussão) e Luiz Mauro Filho (teclado). Como convidado especial, Nelson Coelho de Castro, que já participou anteriormente, ao lado de Rodrigo, de show/homenagem ao compositor Túlio Piva.

Leia a íntegra da notícia

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18 maio

Um compositor brasileiro

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por Juarez Fonseca*
Imagem do encarte do CD. Tela de Roberto Bieto.

Se Rodrigo Piva fizesse um disco inteiro só com sambas, ninguém estranharia. Afinal, ele tem o samba em seu DNA, não é ruim da cabeça e nem doente do pé. Seu novo CD, Na Garganta do Artista, tem sambas de várias naturezas, desde o espírito tradicional em Ri de Brasileiro, a bossa em Você Já Foi à Floripa?, o gênero tipo pagode mais atual em Não Adianta Pedir. Também tem boas doses de choro em Novos Caminhos e em Choro Guia, ambos com aquele sabor típico dado pelo conjunto regional de violões, bandolim, cavaquinho e pandeiro. Mas o ouvinte só vai saber disso depois de passar porCanção do Vento, o afoxé que abre o disco, e logo a romântica Noite Clara, que Rodrigo mesmo define como um “quase bolero”. Aí sim, vêm os sambas e os choros, mas antes do fim mais duas surpresas: Xote da Saudade, uma mistura de xote gaúcho e xote nordestino, e o Tango do Pelego, perfeito exercício de humor e deboche sobre o tipo bajulador e puxa-saco que todos conhecemos – e com dois argentinos de verdade tocando violão e bandoneon. Em Florianópolis, onde vive há 20 anos, ele recrutou grandes músicos para ajudá-lo nas gravações. Como era conhecido Túlio Piva, o avô de Rodrigo? Como sambista. Pois nascido no interior do Rio Grande do Sul, criado ouvindo rádios portenhas, Túlio também compunha xotes (ou chotes) e tangos! Então, que ninguém estranhe tangos e xotes entre sambas e choros. A grande novidade que sai do cérebro e da garganta de Rodrigo é que ele é hoje um compositor muito mais brasileiro do que apenas gaúcho ou catarinense.

*  jornalista e colunista de música no jornal ABC Domingo (Novo Hamburgo/RS)

 

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15 abr

O show no TAC

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Uma noite animada, casa cheia. Muito samba e amigos reunidos, plateia cantando junto com Rodrigo Piva. Este foi o clima do lançamento do disco, no TAC, em Florianópolis, na noite de ontem, 14 de abril.

Fotos: Bia Boleman

 

 

Fotos: Pablo Corti

Foto de Pablo Corti

 

 

 

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Ilustração do CD

Ilustração da capa do CD, de autoria do artista plástico paulistano Roberto Bieto

O cantor e compositor Rodrigo Piva traz em seu terceiro álbum, Na Garganta do Artista, uma música genuinamente brasileira, estruturada pelo samba, choro e bossa nova, com pitadas de xote e tango. No repertório, 12 canções de sua autoria, arranjadas  em parceria com o violonista  Luiz Sebastião Juttel, que também assina a produção do CD.

A música que dá nome ao disco, Na Garganta do Artista, comprova a vertente sambista do compositor: Samba, de Ary, Tom e Vinicius no balanço do passista… equilibrista… Samba, sobrevive na garganta do artista... É nesta faixa que Rodrigo reafirma a brasilidade de seu trabalho, com o bom e velho samba, que aprendeu a admirar ao lado do avô Túlio Piva – compositor de sucessos como Tem Que Ter Mulata, Gente da Noite e Pandeiro de Prata, eternizados nas vozes de Elis Regina, Elza Soares, Demônios da Garoa, Jair Rodrigues e outros.

O humor é outra marca deste álbum. Está presente na música Não Adianta Pedir, em que ele brinca com a Lei Seca, que transformou (ou tenta transformar) os costumes do brasileiro em relação à bebida; e no Tango do Pelego, no qual a figura homenageada é o “fura-greve”, mais conhecido por “pelego”. Nesta gravação, Rodrigo contou com a participação de dois legítimos tangueiros argentinos: Pablo Grego (bandoneon) e Pablo Lazarte (violão).

Grandes compositores como Noel Rosa, Jacob do Bandolim, Tom Jobim e Pixinguinha sempre foram a principal fonte de inspiração de Rodrigo Piva. E isso é externado no Samba no Segundo Andar, quando ele dialoga com os mestres da MPB:  Eu perguntei ao Noel qual é o tom? E ele me disse: Jobim! E a parceria no céu começou, um samba feito pra mim… Nessa faixa, o compositor canta ao som do inconfundível bandolim do irmão Rogério Piva,  que se harmoniza perfeitamente à concepção do arranjo. Os irmãos também entram em sintonia de voz e instrumento em Choro Guia, dedicado ao choro brasileiro e seus instrumentistas.

À cidade que o acolheu há 20 anos, ele faz uma linda homenagem na bossa Você Já Foi a Floripa? Nessa música, Rodrigo descreve as belezas da Ilha e canta: Quem nunca foi à Floripa, não sabe onde fica o meu coração… Merece destaque, ainda, a canção escrita originalmente em francês, Dans Tes Yeux (faixa 9), na qual o autor divide o vocal com a intérprete catarinense Izabela Soares.

Foi no estúdio Samburá Sonoro, em Florianópolis, que Rodrigo Piva produziu este novo trabalho, que conta com a participação de 15 instrumentistas. Entre eles, Bebê Kramer (acordeon), Luiz Gustavo Zago (piano), Luiz Sebastião (violão de 7 cordas), Carlos Ribeiro Júnior (baixo), Cristian Faig (flauta), Chico Camargo (cavaquinho), Fidel Piñero (flugelhorn), Marco Aurélio (trombone), Eduardo da Costa, Eduardo Seara e Alexandre Damaria (percussão) e Mauro Borghezan (bateria).

“Selecionei músicos que atuam em Santa Catarina como uma maneira de valorizar os excelentes profissionais que temos por aqui”, destaca Rodrigo. As gravações foram feitas entre janeiro e julho de 2010, viabilizadas pelo incentivo cultural do Edital Elisabete Anderle, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina.

O projeto gráfico do CD, a cargo do designer Rodrigo Poeta, segue o mesmo padrão de qualidade. Para esse trabalho, foram utilizadas duas belíssimas telas do artista plástico e grafiteiro paulistano Roberto Bieto (Roda de Bamba e O Samba Nunca Foi de Arruaça).

Outras informações no site: www.rodrigopiva.com.br

 

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31 mar

Entrevista com Rodrigo Piva

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O compositor e cantor Rodrigo Piva lança seu terceiro álbum Na Garganta do Artista, no dia 14 de abril no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), às 20 horas, e vai contar com a participação especial do músico e arranjador Cristovão Bastos, consagrado em parcerias com Chico Buarque, Paulinho da Viola, Nana Caymmi, Gal Costa, Edu Lobo, entre outros.

O show vai mostrar a brasilidade do CD, temperado com samba, choro, xote e bossa nova e respaldado por ótimos músicos catarinenses. Entre eles Luiz Sebastião (violão 7 cordas), Rogério Piva (bandolim e guitarra), Carlos Ribeiro Junior (baixo elétrico e acústico), Chico Camargo (cavaquinho), Eduardo da Costa, Eduardo Seara e  Alexandre Damaria (percussão).

Nesta conversa com a jornalista Cibele Godoy, Piva avisa que encontrou em Florianópolis seu caminho musical próprio: aquele que o leva à universalidade de seu som.

O que muda neste terceiro disco?

Agora consigo entender melhor meu trabalho e o rumo que escolhi na minha música. Me sinto mais maduro como compositor. Sem contar que este disco é muito brasileiro, em que não se vê mais a música popular gaúcha como se via nos meus trabalhos anteriores. Outro diferencial é que neste disco eu apresento 12 composições próprias inéditas, sem parceiros, o que garante a ele um forte caráter autoral.

Como é o processo de compor? Vem tudo de uma vez só?

O processo de composição não tem lógica, nem regra. É 100% inspiração, que pode nascer de um estado de espírito, de um acontecimento, de uma lembrança, de uma saudade. Às vezes ele é quase mediúnico, com a letra e a música aparecendo juntas, prontas, uma completando a outra. Para mim, é assim que funciona. Não adianta forçar a barra, que a inspiração não vem. É preciso ter paciência e um pequeno gravador por perto, para registrar as ideias musicais que surgem a qualquer momento.

Quantas músicas no disco e no show?

São 12 músicas no CD, todas de minha autoria. No show, vamos apresentar as músicas do álbum e mais algumas surpresas.

Quais as tuas referências musicais na Ilha?

Como toda cidade litorânea, Floripa tem muito samba e choro de qualidade, além de ótimos instrumentistas. A música instrumental sempre me interessou muito, pois comecei a carreira tocando num grupo de choro, chamado Vibrações. Essas influências estão muito presentes neste novo trabalho.

Entrevista Rodrigo Piva

Rodrigo Piva, músico e compositor, fala de sua vida, carreira e do lançamento do novo CD, Na Garganta do Artista

Como nasceu a bossa que fala de Florianópolis?

A bossa Você já foi a Floripa é exemplo de composição em que a letra e a música chegaram juntas, num final de semana na praia. Nesse caso, o local, perto do mar e da serra, foi fundamental para inspirar o tema da canção.

Você trabalha como funcionário público e é formado em direito, como encontra tempo para que a inspiração venha?

Quando estudante, eu compunha em algumas aulas que não me despertavam tanto entusiasmo. Hoje encontro tempo, à noite, e me inspiro em emoções e fatos cotidianos. Gosto muito de usar o humor nas minhas letras, então a inspiração acaba vindo.

Quais são as suas referências, além do lendário samba de Túlio Piva?

Eu me influenciei pela MPG (Música Popular Gaúcha), artistas como Kleiton e Kledir, Nei Lisboa. Mas tenho ouvido muito samba, como Roberta Sá. E claro, sempre alguns mestres como Chico Buarque e Paulinho da Viola.

Quais as principais diferenças que encontra entre sua carreira hoje, as dificuldades e desafios com a carreira do seu avô?

Meu avô, Túlio, não estudou música e com poucos acordes fazia coisas incríveis. Eu e meu irmão (Rogério Piva, que participa do CD) estudamos e nos dedicamos à música de outra forma. Sem contar as facilidades que a tecnologia traz, facilitando nosso trabalho.

Túlio Piva vivia a boemia em Porto Alegre, como o bar Gente da Noite, vivia mais da música e da noite. Você acredita que ter uma vida paralela à música dificulta seu trabalho?

Eu gostaria de poder viver só da minha música, mas sabemos as dificuldades que encontramos no caminho. Mas não acho que isso atrapalhe ou reduza minha paixão pela arte.

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por Duda Hamilton

Ele toca ao lado de grandes nomes da música brasileira, faz arranjos para muitos talentos, é parceiro de outros gênios em canções que encantam até hoje, como Todo Sentimento, com Chico Buarque, gravada em Paris há 30 anos, só piano e voz. Sua canção Raios de Luz, em parceria com Abel Silva, foi gravada porBarbra Streisand e, em 1999, fez a direção musical e arranjos do show e do disco Gal Costa Canta Tom Jobim.  Cristovão Bastos, que é pianista, compositor e arranjador, já acompanhou, pelas suas contas, mais de 100 músicos em 50 anos de profissão.

Ele começou cedinho e sua memória mais remota da música é aos 7 anos, quando viu pela primeira vez um show com acordeom. Virou-se para os pais e pediu: “Quero tocar este instrumento.” Semanas depois freqüentava aulas e aos 15 anos se tornou profissional ao tocar numa boate em Cascadura, no subúrbio do Rio Janeiro. Foi ali também que ele trocou o acordeom pelo piano.

Em palcos e estúdios nacionais e internacionais, Cristovão Bastos acompanha, em shows e discos, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Aldir Blanc, além de Nana Caymmi, Edu Lobo, entre muitos outros. Na década de 1980 viajou com Chico pela Europa onde, segundo ele, mais jogaram futebol do que tocaram. “Eram duas partidas e um show ou quatro e dois shows”, conta de forma divertida.

Cristovão tem personalidade ao tocar e o que o deixa mais gratificado é quando reconhecem seu piano. O CD Bons Encontros, de 1992, com o violonista Marco Pereira, é um ótimo exemplo, pois são músicas de Ary Barroso e Noel Rosa, que ganham uma outra interpretação, sem esquecer a essência brasileira. Este álbum recebeu o Prêmio Sharp de Música Instrumental. Seu primeiro disco solo, Avenida Brasil, também tem esta marca.

Perguntado se prefere palco ou estúdio, disparou:

“Gosto de estar no palco, mas o estúdio é um educador, é uma forma de descobrir erros e vícios”.

Cristovão Bastos

Foto:João Maia

Ao telefone ele confessa que ao entrar no palco não tem mandinga, mas sempre ao estar no piano agradece a Deus pelo dom de tocar. Otimista, acredita que a música brasileira vai muito bem.

“O problema é o acesso à mídia, pois o que hoje está nela é a música imediata, a que logo deixa de existir e, com isso, perdemos a informação sobre a boa música”, alerta ele, fazendo comparações. “Tem gente que só usa acessórios que estão na moda, como uma determinada marca de calça ou tênis, por exemplo. Diferente destes, prefiro usar sandálias, porque o pé respira melhor”.

E assim ele segue seu caminhar musical. É entre uma turnê com Edu Lobo e outra com Paulinho da Viola que Cristovão vem para Florianópolis, onde se apresenta no Teatro Álvaro de Carvalho, em 14 de abril, como convidado do cantor e compositor Rodrigo Piva, que lança seu terceiro CD, Na Garganta do Artista.

Confira, abaixo, um rápido pingue-pongue com o músico.

Entrevista

 

Quinze dias antes do show Na Garganta do Artista, de Rodrigo Piva, a jornalista Duda Hamilton conversou, por telefone com o convidado especial pianista, arranjador e compositor, Cristovão Bastos. Durante a entrevista ele se deu conta que este ano completa 50 anos de profissão. Na bagagem, parcerias com Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Aldir Blanc, Abel Silva, além de Nana Caymmi, Gal Costa, Edu Lobo, entre muitos outros.

Como a música entrou na sua vida?

Quando eu tinha 7 anos e meu pais me levaram num show. Olhei para o acordeom e pedi para tocar aquele instrumento. Aos 13 anos me formei.

E como foi trocar o acordeom pelo piano?

Aos 17 anos eu tocava acordeom numa boate em Cascadura, no subúrbio do Rio. O proprietário queria um pianista, porque o que ele tinha ia embora, e foi assim que eu comecei a tocar piano.

 

O que é preciso para ser músico?

O cara só pode ser músico se for apaixonado por música. Se só gostar, continua gostando, mas faz outra coisa, tem outra profissão. Somos em 7 irmãos, todos musicais, mas só eu fui ser músico.

O que você considera o melhor na mpb?

O músico brasileiro tem um rico acervo e possibilidades diversas para trabalhar com o regional do Brasil. Temos vários estilos, várias nuances, isso é uma riqueza sem igual. E a música instrumental brasileira, que é muito mais conhecida e consumida fora do país, vai muito bem. O maior problema é que aqui eles querem saber quem é a melhor cantora ou o melhor cantor, sem levar em conta outros profissionais, como o arranjador, o melhor instrumentista e o melhor produtor.

E isto é a mídia quem faz?

Sim, é a mídia. Hoje, por exemplo, a música instrumental não tem acesso à mídia. O que está na mídia é o imediato, é a música que acaba logo e, com isso, perdemos a informação sobre a boa música.

É melhor compor, tocar ou fazer arranjos?

As três atividades são correlatas. Me sinto mais a vontade compondo e tocando piano, mas também gosto de escrever. Todo o arranjador é um compositor, faz variações musicais, mexe em harmonia, cria uma segunda melodia.

Palco ou estúdio?

Gosto do palco, ele é emocionante porque o que você faz, não se repete. É a grande diferença do estúdio, que é um educador, é uma maneira de descobrir erros e vícios. Já mudei muita coisa pelo fato de gravar e ouvir o que gravei muitas vezes.

Alguma mandinga ao subir ou descer do palco?

Quando estou ao piano agradeço sempre a Deus por ter me dado este dom de tocar, por me permitir fazer isso.

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