18 maio

Um compositor brasileiro

Posted by piva Categories: Clipagem, Releases

Juarez Fonseca - jornalista e crítico musical

por Juarez Fonseca

Se Rodrigo Piva fizesse um disco inteiro só com sambas, ninguém estranharia. Afinal, ele tem o samba em seu DNA, não é ruim da cabeça e nem doente do pé. Seu novo CD, Na Garganta do Artista, tem sambas de várias naturezas, desde o espírito tradicional em Ri de Brasileiro, a bossa em Você Já Foi à Floripa?, o gênero tipo pagode mais atual em Não Adianta Pedir. Também tem boas doses de choro em Novos Caminhos e em Choro Guia, ambos com aquele sabor típico dado pelo conjunto regional de violões, bandolim, cavaquinho e pandeiro. Mas o ouvinte só vai saber disso depois de passar por Canção do Vento, o afoxé que abre o disco, e logo a romântica Noite Clara, que Rodrigo mesmo define como um “quase bolero”. Aí sim, vêm os sambas e os choros, mas antes do fim mais duas surpresas: Xote da Saudade, uma mistura de xote gaúcho e xote nordestino, e o Tango do Pelego, perfeito exercício de humor e deboche sobre o tipo bajulador e puxa-saco que todos conhecemos – e com dois argentinos de verdade tocando violão e bandoneon. Em Florianópolis, onde vive há 20 anos, ele recrutou grandes músicos para ajudá-lo nas gravações. Como era conhecido Túlio Piva, o avô de Rodrigo? Como sambista. Pois nascido no interior do Rio Grande do Sul, criado ouvindo rádios portenhas, Túlio também compunha xotes (ou chotes) e tangos! Então, que ninguém estranhe tangos e xotes entre sambas e choros. A grande novidade que sai do cérebro e da garganta de Rodrigo é que ele é hoje um compositor muito mais brasileiro do que apenas gaúcho ou catarinense.

 

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